O capim-tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia-1) é uma alternativa para áreas de solo com maior fertilidade, permitindo ao produtor diversificar as espécies presentes na fazenda. Com isso, os recursos naturais, principalmente o solo, podem ser utilizados de acordo com sua potencialidade, permitindo diferentes estratégias de manejo do rebanho e reduzindo o risco como resultado da diversificação de pastagens.
Esta cultivar contribui para: a) diversificar as espécies de capins disponíveis para a intensificação da produção de carne; b) substituir a braquiária em processo de degradação. Aapresenta resistência à cigarrinha-das-pastagens e maior produção foliar com maior ganho de peso pelo gado.
A cultivar Tanzânia-1 substituiu primordialmente o capim-colonião apresentando maior facilidade de manejo em função do menor porte, produção de carne por área 30% superior, produção foliar 60% maior, superioridade de 30% a 40% na produção de sementes e maior resistência à cigarrinha-das-pastagens.
Descrição
Nome científico: Panicum maximum cv. Tanzânia
Família: Gramíneas
Ciclo vegetativo: Perene
Forma de crescimento: Touceira
Adaptação
Tipo de solo: Fértil / Bem drenado
Altitude: Até Até 1.500 m
Precipitação anual: Acima de 1.000 mm
Tolerância
Seca: Boa
Frio: Boa
Umidade: Baixa
Cigarrinha: Boa
Sombreamento: Média
Produção
Matéria seca ha/ano: 20 - 26 t
Proteína bruta na M. S.: 10 - 16%
Palatabilidade: Ótima
Utilização/Manejo
Tempo de formação: 90 - 120 dias
Primeiro pastoreio: 90 dias (gado jovem)
Altura do corte: 40 cm - retirar os animais
Incorporação: Não
Quem ganha com isso
Os principais beneficiários são os pecuaristas, com incrementos na produtividade e possibilidade de maior diversificação das pastagens. As empresas que comercializam sementes também são beneficiadas, pois podem oferecer produtos diversificados. As empresas que vendem fertilizantes tendem a comercializar mais produtos, já que esta forrageira requer maior nível de fertilidade para expressar seu potencial produtivo. A cultivar Tanzânia-1 tem sido utilizada pelos produtores no sistema de integração lavoura/pecuária. Na pecuária de leite, vem sendo usada para substituir o capim-elefante.
Abrangência geográfica
AC, PA, RO, TO, GO, MS, MT, MG, SP, RS, SC e PR.
Benefícios econômicos e sociais
Para o ano de 2015, os benefícios resultantes do capim-tanzânia alcançaram em torno de 757 milhões de reais. Esta forrageira vem sendo utilizada como uma alternativa ao capim-colonião, forrageira do gênero Panicum tradicionalmente cultivada em solos mais férteis, bem como passou a ser usada como substituta da braquiária decumbens em processo de degradação.
A área cultivada com o capim-Tanzânia teve um leve decréscimo nos últimos anos, devido a problemas com o fungo Bipolaris maydis, o que resultou em mudança na preferência dos produtores por cultivares como Mombaça e Zuri. Por outro lado, é possível que esteja subestimada a real contribuição desta tecnologia, visto que existem falhas de registro decorrentes da alta informalidade no setor produtor de sementes (estimada entre 30 e 45%). Além disso, o benefício computado refere-se exclusivamente à pecuária de corte. Sabe-se, no entanto, que outras atividades, como a produção de leite, são beneficiadas pelo capim-tanzânia.
O impacto social do Panicum maximum cv. Tanzânia-1 tem se dado em diferentes elos da cadeia produtiva. Do lado da produção, esta cultivar tem representado uma importante tecnologia adotada por pequenos e médios pecuaristas de leite, especialmente em substituição ao capim elefante. Na pecuária de corte, por ser usado em sistemas mais intensivos de produção, aumenta indiretamente a demanda por mão-de-obra. Do lado da indústria, este capim, somado ao Mombaça e ao Marandu, causou um forte impacto no segmento de produção de sementes e no de máquinas e equipamentos voltadas para este ramo da agropecuária. É relevante a contribuição desta tecnologia para a geração de emprego e renda e para a melhoria da gestão e capacitação dos atores envolvidos na pecuária de corte.